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terça-feira, 30 de junho de 2009




Polícia prende agressor de assistente social
Marjorie Moura e Juracy dos Anjos, do A TARDE
“Eu sou capaz de perdoar e aceitar ela de volta, depois de tudo que fiz ela sofrer”, declarou nesta segunda, 29, o professor de educação física Adalberto França Araújo Filho, horas depois de ser apresentado pelos advogados e preso na Delegacia de Simões Filho, em cumprimento a um mandado de prisão temporária pela tentativa de homicídio praticado contra a assistente social Luciana Lopo.
A vítima recebeu dois tiros, teve as costas queimadas com leite quente, os pulsos quebrados, foi esfaqueada e teve os dedos profundamente cortados pelo agressor para que confessasse supostas traições, numa sessão de tortura que durou mais de quatro horas na casa onde moravam, em Villas do Atlântico.
Apresentado na Secretaria da Segurança Pública (SSP), na Piedade, Adalberto França admitiu as diversas agressões, mas disse não se recordar com detalhes o que fez. Inicialmente protestando por estar sendo filmado e fotografado, narrou em seguida com riqueza de detalhes como o relacionamento com a vítima descambou na tentativa de homicídio. Acusou Luciana Lopo de ficar olhando de forma indevida para alguns homens e de ficar “copiando os caras”.
Segundo o acusado, durante as agressões, ela teria confessado casos com vários homens, principalmente com “inimigos” dele. Indagado se a confissão não ocorreu devido às ameaças e às agressões, ele disse: “Não acredito que uma pessoa com uma arma carregada apontada para a cara vá mentir. Eu disse para ela que não ia atirar se ela dissesse a verdade e não atirei. Acho que atirei para o chão”. Ele disse “não se lembrar” como os tiros atingiram a assistente social. O inquérito será presidido pela delegada Jamila Cidade (Vila de Abrantes), e o preso é acusado de tentativa de homicídio segundo a Lei Maria da Penha, que aumentou o rigor das punições das agressões contra a mulher no âmbito doméstico.
Contradições – Adalberto França se disse arrependido das agressões e declarou que Luciana Lopo é uma esposa perfeita, mas ele se desesperou depois que não conseguiu confirmar suas suspeitas de traição, bebeu o dia todo antes da agressão e alegou que “teve um surto”.
A polícia técnica esteve nesta segunda no Hospital Espanhol, após Luciana Lopo ter alta da Unidade de Terapia Intensiva, para realizar o exame de corpo de delito. Segundo a irmã da vítima, Andrea Brasileiro, Luciana ainda não foi informada da prisão do marido. “Ela ainda está muito traumatizada. Por isso, achamos melhor não dizer nada por enquanto. Penso que o melhor é que ela se recupere”, salientou.
Os pais da assistente social ficaram abalados com a prisão e foram medicados. Segundo a irmã da vítima: “Queremos agora que não haja brechas nas leis e que ele fique preso. Adalberto precisa pagar pelo que fez, pela dor que minha irmã e minha família estão sentido”.
Serviço:
Veja onde é possível denunciar violência doméstica
Disque denúncia - 3235-0000

sexta-feira, 26 de junho de 2009

POEMA DA GARE DE ASTAPOVO



Liev Tolstói, também conhecido como Léon Tolstói ou Leão Tolstoi ou Leo Tolstoy, Lev Nikoláievich Tolstói (9 DE SETEMBRO de 1828) é considerado um dos maiores escritores de todos os tempos.

Além de sua fama como escritor, Tolstoi ficou famoso por tornar-se, na velhice, um pacifista, cujos textos e idéias batiam de frente com as igrejas e governos, pregando uma vida simples e em proximidade à natureza.

Morreu aos 81 anos, de pneumonia, durante uma fuga de sua casa, buscando viver uma vida simples.(20-NOVEMBRO DE 1910)




POEMA DA GARE DE ASTAPOVO
O velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anos

E foi morrer na gare de Astapovo!

Com certeza sentou-se a um velho banco,

Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso

Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo

Contra uma parede nua...

Sentou-se ...e sorriu amargamente

Pensando que

Em toda a sua vida

Apenas restava de seu a Gloria,

Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas

Coloridas

Nas mãos esclerosadas de um caduco!

E entao a Morte,

Ao vê-lo tao sozinho aquela hora

Na estação deserta,

Julgou que ele estivesse ali a sua espera,

Quando apenas sentara para descansar um pouco!

A morte chegou na sua antiga locomotiva(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta...)

Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho,

E quem sabe se ate não morreu feliz: ele fugiu...

Ele fugiu de casa...

Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade...

Não são todos que realizam os velhos sonhos da infância!


Mario Quintana

terça-feira, 23 de junho de 2009

Qual o valor do consumo para as crianças?



Na Educação Infantil, em uma sala com crianças com idade em torno dos quatro anos, no início do período a professora reuniu os alunos – mais ou menos 20 – e fez o que se chama uma “roda de conversa”, um dispositivo bem interessante quando bem utilizado. Mas, mais do que o procedimento, o que quero ressaltar foi o conteúdo da fala dessas crianças.
Como hoje é segunda-feira, elas queriam contar à professora e aos colegas o que fizeram no final de semana. Bem, muitas relataram atividades realizadas com a família e todas elas tinham um elo em comum: o consumo. Algumas crianças disseram que foram ao supermercado e contaram o que compraram; outras fizeram referência a lojas, outras ao shopping local, mas o que ressaltavam mesmo é o que havia sido comprado pelos pais, para a casa ou para a própria criança.
Claro que isso não significa que nenhuma criança dessa sala não tenha feito coisa diferente de consumir. Suponho que várias delas tenham ido visitar alguém ou tenham recebido alguma visita, que tenham brincado de algo diferente etc. Mas, uma coisa é certa: o consumo, pelo relato delas, foi a atividade mais valorizada.
Vamos nos deter um pouco nessa palavra: valor. Quando valorizamos algo, ou seja, quando investimos e/ou reconhecemos valor em algo - seja uma característica humana, um objeto ou uma atitude - significa que damos importância a isso que, de alguma maneira, desperta nossa admiração e/ou interesse.
Então, caros: se crianças pequenas valorizam dessa maneira o consumo, quer dizer que é essa a lição que temos transmitido. E vejam que o que está em jogo não é o ato de consumir mais ou menos, com maior ou menor regularidade, e sim o de VALORIZAR o consumo. Fiz questão de escrever essa palavra em letras maiúsculas porque já percebi que muitas pessoas, quando se referem ao consumismo, pensam na quantidade e na freqüência do consumo e não no VALOR que se dá a ele.
Consumir é algo bem simples e faz parte da vida de todos: trata-se de usar ou adquirir para uso algo que queremos e/ou que precisamos. Consumimos nosso tempo, os alimentos, objetos dos mais variados tipos etc. O que importa para quem educa não é o consumo, e sim o valor que se dá a ele.
Gosto de dizer que a parte mais importante da educação é o ato de pensar a respeito das ações que tomamos. Os equívocos e os erros que cometemos quando educamos nossos filhos e alunos não são problemáticos. Aliás, são inevitáveis. O problemático é valorizarmos determinadas características sociais sem reflexão, sem crítica, sem resistência alguma.
Os mais novos bem que poderiam considerar outros aspectos da vida como mais valorosos do que o consumo, não é verdade? Isso certamente contribuiria para uma vida melhor no futuro, para eles mesmos e para a humanidade. Para tanto, precisamos pensar nos valores que transmitimos de fato a eles e nos que realmente gostaríamos de ensinar.
Wanda

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Filme

Alguém falou a respeito de trabalho infantil e esse não é um assunto simples de se entender no mundo atual. Para começo de conversa, é preciso buscar compreender o que significa ser criança no mundo contemporâneo.
Para tanto, recomendo um Curta-Metragem ótimo, o "A Invenção da Infância", da diretora Liliana Sulzbach, que permite excelente reflexão a esse respeito. O link para assistir é:
http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=672

sábado, 13 de junho de 2009

Autoridade e medo



Uma notícia publicada em jornais chamou a atenção de uma leitora. O Tribunal de Justiça do Rio decidiu que uma menina receberá aproximadamente R$ 7.000 de indenização por ter sido retirada da sala de aula em dia de prova. O motivo? Estava sem uniforme. O que a leitora questiona é se a Justiça não está desqualificando a autoridade da escola e, dessa maneira, acentuando ainda mais as já existentes atitudes de desrespeito ao espaço escolar.

Ela tem uma filha que cursa a 6ª série em uma escola em que o diretor vai implantar o uso do uniforme. O problema é que os alunos não aceitam a ideia e o diretor aguarda a adesão deles à proposta, já que não quer fazer uma imposição. E nossa leitora reclama porque, para ela, algumas coisas devem ser, simplesmente, acatadas.

Para ela, o uso do uniforme é um desses casos, já que os alunos realizam um verdadeiro desfile de moda na escola por conta do consumismo. A reflexão de nossa leitora é a respeito do enfraquecimento da autoridade da família e da escola.

Em primeiro lugar, vamos lembrar que muitas atitudes de transgressão que os alunos cometem na escola são provocadas pela própria instituição. No caso da aluna que receberá a indenização, por exemplo, a explicação dada para não usar o uniforme é que não havia um disponível no tamanho dela.

No caso da escola que a filha de nossa leitora frequenta, apesar de o uso ser obrigatório segundo o caderno de normas e procedimentos distribuído no início do ano, a própria escola abriu o precedente, já que não havia uniforme para todos. Depois de um tempo indo às aulas com roupas casuais, os alunos não aceitam a mudança.

Pode haver ou não uma boa justificativa para o uso do uniforme. Uma delas é a citada pela leitora: evitar que os alunos usem e abusem das roupas para excluir colegas, zombar deles, fazer desfiles de grifes. Mas não basta decretar o uso e esperar que todos respeitem a norma. É preciso trabalhar para que ela seja cumprida.

Acontece que as escolas guardam a ideia obsoleta de que a punição é a melhor medida em educação. Quando alunos comparecem sem uniforme, são impedidos de frequentar as aulas. Mas, se o objetivo da escola é que o aluno aprenda e se, para tanto, precisa estar nas aulas, tal medida é equivocada. Por que não deixar algumas peças na secretaria e emprestá-las aos que vão sem uniforme? Essa e outras medidas podem ter caráter educativo.

Muitas escolas evitam, também, desagradar a seus alunos. Ora, mas educar não implica, necessariamente, desagradar? A criança quer brincar, mas precisa estudar; quer se distrair, mas precisa aprender a se concentrar; quer atenção exclusiva, mas precisa conviver e compartilhar; quer dormir, mas precisa acordar etc.

Inicialmente, a criança permite ser educada por medo de deixar de ser amada pelos pais. Mas, pelo jeito, hoje o medo é dos adultos: os pais temem perder o amor dos filhos, as escolas temem perder seus alunos...

Com medo, não dá mesmo para exercer a autoridade e, sem ela, não dá para educar.
Autoria de Rosely Sayão, retirada do blog da mesma.